As Grandes Correntes Geográficas: Corrente determinista, Corrente possibilista, Corrente corológica (2022)

As Grandes Correntes Geográficas

O século XIX foi particularmente rico em transformações políticas e sociais que tiveram impacto no domínio do pensamento em geral e da Geografia em particular. Entre esses factores, há a destacar o ambiente económico da época em especial a, Revolução Industrial na Europa, cujo impacto pode ser resumido no seguinte:

  • Considerável evolução da sociedade e da curiosidade científica e intelectual, que estimularam o debate sobre a diferenciação do espaço e o estudo da relação Homem-Meio.
  • Aumento do interesse económico das classes dominantes, particularmente da burguesia, em conhecer profundamente as colónias.
  • Desenvolvimento científico e técnico nos séculos XVIII e XIX.
  • Difusão das informações científicas e filosóficas e particularmente os trabalhos de A. V. Humboldt e C. Ritter.

Todas essas premissas criaram condições para uma nova abordagem da Geografia apoiada por ciências naturais e sociais, incidindo na perspectiva ecológica e corológica da Geografia.

As principais correntes são:

  • Corrente determinista geográfico
  • Corrente possibilista geográfico
  • Corrente corológica.

a)Corrente Determinista

A corrente determinista também conhecida por determinismo geográfico, foi fundada por Frederich Ratzel (1844-1904) pertencente à escola alemã. Os trabalhos de F. Ratzel marcaram o início de um debate de ideias sobre a Geografia, mais tarde seguidas pela escola francesa, americana, Círculo de Viena e um pouco por todo lado. De acordo com esta teoria, o objecto de estudo é o Homem-Meio, numa relação unívoca, por isso acredita-se na submissão do Homem às leis da Natureza.

As condições naturais, em especial as condições climáticas é que determinaram a evolução do Homem, e consequentemente da sociedade.

A corrente determinista, preocupada na relação Homem-Meio foi fundada por F.Ratzel. Mais tarde Ellen Semple e William Davis também defenderam esta corrente.

Bases da corrente determinista

F. Ratzel apoiou-se na teoria da selecção natural de Charles Darwin em que os conceitos de organismo, de metabolismo, de luta, de selecção natural passam também para análise de fenómenos socioeconómicos. Darwin chegou a uma conclusão que revolucionou o pensamento clássico: «A luta pela Vida não é mais do que uma forma de selecção natural, na qual certas espécies privilegiadas possuem todas as condições para sobreviver, enquanto que as desfavorecidas ou fracas estão condenadas extinção».

Partindo desta ideia defendeu que os povos ou os estados fortes devem dominar os fracos.

A corrente determinista apoia-se também no positivismo deAugust Comteque defende que o pensamento evoluiu em forma de progressão a três níveis:

  • Estado teológicoonde a explicação é com base nas forças sobrenaturais.
  • Estado metafisico(simples modificação geral do primeiro) onde os agentes sobrenaturais são substituídos por formas abstractas, verdadeiras entidades.
  • Estado positivo, no qual a explicação dos fenómenos é feita com base na observação e na razão, considerando as relações causa-efeito entre os fenómenos.

Os Princípios do Determinismo

O determinismo de Ratzel sustentou-se em dois princípios

1.«Todo o facto geográfico é explicável através das suas causas».

(Video) O QUE É DETERMINISMO E POSSIBILISMO GEOGRÁFICO? Geografia | Rapidinhas #012

2.«Quando as causas estão reunidas, o facto produz-se.»

Partindo destes postulados positivistas darwinistas, Ratzel estabeleceu leis gerais, em que o primado é o meio físico sobre o Homem e concluiu que para meios físicos iguais, corresponderá uma organização social idêntica, defendendo a passividade do Homem perante as leis da Natureza.

Os métodos do determinismo

A corrente determinista foi muito marcada pelos métodos comparativos, apoiando-se nos princípios da casualidade e de extensão, recorrendo explicação dedutiva-comparativa, para a formulação de leis e verificação das relações causa-efeito.

Contribuição e aplicação do determinismo As ideias de Friedrich Ratzel tiveram eco nos círculos científicos e políticos da Europa e da América do Norte, particularmente os políticos, que encontraram na base teórica a justificação do expansionismo colonial, ao defender que os estados fortes deviam aumentar os seus espaços à custa dos estados fracos; as raças fortes deviam dominar as fracas e submeter povos tropicais à dominação colonial, expandindo assim a civilização europeia de orientação cristã.

Embora possamos fazer várias críticas ao determinismo geográfico, é lícito que se destaque algum mérito para esta teoria na medida em que permitiu:

  • Manter a unidade entre a Geografia Física e Humana.
  • Sistematizar a Geografia e criar um objecto Único da Geografia.
  • Garantir o cientismo e unidade da Geografia.
  • Estabelecer que as relações Homem-Meio são básicas para a análise geográfica e formulação de leis gerais para a Geografia.

Continuadores de Ratzel

O determinismo geográfico teve muito impacto no pensamento geográfico, atraindo muitos seguidores. Na América do Norte, por exemplo Ellen Semple (Determinismo ambiental) e William Morris Davis (Determinismo climático) foram os seguidores.

Ellen Semple defendia que os climas são determinantes para a saúde mental e física do Homem. O estudo dos indivíduos deve ter em conta sempre o seu habitat.

Por sua vez, William M. Davis prestou mais atenção Geografia Física: defendia que a sociedade humana devia ser encarada como um organismo e que só podia sobreviver com base nos ajustamentos ao meio físico. Considerava a superfície terrestre, o objecto de estudo da Geografia.

O surgimento de várias correntes contestadoras do Determinismo Geográfico não eliminou totalmente esta visão. A prova mais evidente é a teoria do espaço vital que no século XX foi suporte do expansionismo e nacionalismos radicais na Europa que levaram o mundo à II Guerra Mundial.

b)Corrente Possibilista

Esta corrente surgiu nos finais do século XIX e marcou o pensamento Geográfico até 1950.

A corrente possibilista resulta da evolução científica e de todo o debate científico e filosófico de então.

Tinha como objectivo opor-se ao determinismo geográfico, sobretudo na questão de submissão do Homem ao meio ambiente e no objectos além disso o possibilismo queria combater os excessos da escola alemã no que se refere a passividade do Homem perante ao meio.

(Video) CORRENTES DO PENSAMENTO GEOGRÁFICO

Portanto para a corrente possibilista, não há uma submissão fatal do Homem ao Meio, mas sim várias possibilidades que a sua disposição pode ou não valorizar.

Objecto de estudo

De acordo com esta corrente, a Geografia possui dois objectos de estudo: o Homem para a Geografia Humana e a Terra para a Geografia Física. Ou seja, estabelecem-se relações biunívocas; Homem-Meio que definem a reciprocidade e não a dependência como acontece no Determinismo.

O Possibilismo defende que o Homem pode optar perante as várias possibilidades que o Meio oferece para desenvolver um género de Vida próprio.

O Possibilismo apoia-se na corrente filosófica neo-idealista e neo-kantiana que divide a matéria e o espírito do pensamento e no historicismo para explicação da realidade social.

Método de estudo do Possibilismo

O Possibilismo deu muita importância ao método historicista e indutivo analítico. Por isso, Vidal De La Blache estruturou o seu estudo na análise do meio físico, seguido pelo estudo das formas de ocupação e finalmente o impacto da integração do Homem no seu habitat.

Para Vidal de La Blache a observação, localização, descrição e interpretação de cada paisagem com ajuda do método indutivo e historicista e o seu resultado conduzem ä elaboração de monografias que retratam as regiões vidalianas.

A análise regional e morfo-funcional não deve chegar à formulação de leis gerais nos fen6menos humanos.

Vidal De La Blache (1845-1918) o pai da Geografia regional pertence à escola francesa. Foi professor universitário em Paris com muitos trabalhos publicados sendo responsável pela revista Annales de Geographie. Estudou muitas zonas rurais, defendia que a Natureza põe e o Homem dispõe. Valorizava a acção humana e, além disso, dizia que os fenómenos deviam ser estudados na sua região tendo como base as análises regionais e passando para uma análise morfo-funcional.

Críticas ao Possibilismo Geográfico

Vários círculos científicos opuseram-se ao possibilismo geográfico, particularmente na questão de criar dois objectos de estudo para a Geografia e por negar a formulação de leis gerais mesmo para os fenómenos físicos.

Por outro lado, critica-se no Possibilismo o facto de prestar mais atenção à análise das zonas rurais em detrimento das cidades numa altura em que a cidade já era o Pólo de desenvolvimento da humanidade.

Finalmente, consideram os críticos do Possibilismo que os seus estudos e posição ideográfica ameaçaram a unidade da Geografia.

c)Corrente Corológica

As origens desta corrente remontam antiguidade, mas foram revigoradas por Kant no século XVIII, ao acentuar o carácter regional, descritivo e ideográfico da Geografia e tem Alfred Hettner seu fundador.

(Video) DETERMINISMO X POSSIBILISMO E OS CINCOS CONCEITOS CHAVES DA GEOGRAFIA

A corrente corológica analisa a região em termos de estrutura e funções, pretendendo criar uma ciência unificada, através de uma análise lógica, baseada em novos conceitos de Física e com uma linguagem comum a todas as ciências.

Em termos metodológicos, a corrente corológica usa um método dedutivo, ao considerar que todo o trabalho científico consiste em propor teorias e avaliá-las. Os neopositivistas apoiaram-se nas teorias de jogos e teorias de sistemas para resolver os problemas globais e erguer um futuro seguro.

Ambiente do seu surgimento

Como as demais correntes de pensamento e em particular geográficas, o surgimento da corrente corológica esteve ligado ao contexto do século XX que se caracterizava por:

  • Crises sociais e económicas dos anos 30/40 do século.
  • Europa abalada pela 2aGuerra Mundial.
  • Falsa urbanização.
  • Excessos populacionais.
  • Desemprego e conflitos sociais.
  • Racismo nas cidades.

Diante desta realidade, muitos países europeus colocaram o Estado na direcção das economias, impondo o que se chamou capitalismo monopolista do Estado. O desenvolvimento implicaria uma nova divisão do trabalho, tornando-se imprescindível uma planificação regional e urbana.

Havendo situações de crise na Europa e na América era preciso encontrar soluções vindas das ciências sociais e em particular da Geografia.

Entre os principais suportes filosóficos da corrente corológica podem-se apontar o Neopositivismo ou Positivismo Lógico do Círculo de Viena, o Existencialismo e a Fenomenologia.

Com base nas ideias das referidas ciências, a Geografia passou a ser uma ciência unificada, recorrendo às ciências exactas e à Lógica. Mais ainda, procura uma linguagem comum, um raciocínio lógico, nega a divisão das ciências geográficas, dá muita importância à probabilidade e procura formas de expressão com outras ciências, particularmente o uso da linguagem Matemática e Estatística, servindo-se da Informática e da Cibernética.

Ainda segundo a Corrente Corológica, a Geografia devia trazer soluções dos seguintes problemas:

  • Como construir uma fábrica?
  • Onde?
  • Que vias de comunicações a construir?
  • Como construir uma fábrica, como organizar uma cidade?
  • Resolver problemas ambientais, urbanos e económicos.

Principais variantes da Corrente Corológica

  • üEscola de Chicago;
  • üNova Geografia;
  • üGeografia Radical.
  • 1)A Escola de Chicago

Desde o século XIX, Chicago tornou-se, no contexto da Revolução Industrial que teve início no século XVIII na Inglaterra, um dos principais pólos de desenvolvimento dos Estados Unidos da América.

O desenvolvimento industrial e a urbanização a ele subjacente conduziria ao êxodo rural. Por outro lado, Chicago e outras cidades americanas vêem aumentar os fluxos de emigrantes asiáticos, europeus, latinos, americanos e africanos. Desse processo resultará um crescimento da população urbana com novas exigências em habitação, vias de comunicação, abastecimento em viveres, serviços sociais, etc., além da emergência de problemas ligados gestão urbana, racismo e xenofobia.

Ora, este conjunto de problemas aguçava a sensibilidade de estudiosos, políticos e outros quadrantes sociais. Foi neste contexto que os geógrafos de Chicago começaram a debruçar-se sobre os problemas que afectavam a cidade, procurando dar-lhes uma resposta.

(Video) Conceitos e Correntes da Geografia | Geografia - aula #1 | prof. Miko | Extensivo 2020 NPAC

Surgia assim a Escola de Chicago que em relação a esta problemática propunha uma solução sustentada pelas ideias ecológicas de Darwin. A cidade é vista como órgão animado em movimento, com um processo de reajustamentos, invasão, assimilação e rejeição.

São considerados processos de competição pela posse do espaço, com uma visão estrutural e funcional que passa pela elaboração de modelos. O mais representativo é o modelo de Burgess com anéis concêntricos do centro à periferia da cidade.

  • 2)Nova Geografia

As principais ideias sobre a Nova Geografia encontram-se nos livros de geógrafos do Círculo de Viena que emigraram para os Estados Unidos nos anos 50, fugidos da II Guerra Mundial. Entre essas obras temos «Excepcionalism in Geography» de Fred Schaefer, 1953 e «The Oritical Geography», de William Burge, 1962.

Nestas obras, os seus autores condenam a concepção possibilista da Geografia ao considerá-la uma ciência ideográfica e regional.

Para eles, a Geografia tem de ascender ao estatuto de ciência, com uma perspectiva genérica, que permita a formulação de leis que regem a distribuição espacial dos fenómenos na superfície terrestre.

A Geografia devia dispor de teorias básicas necessárias para a formulação de hipóteses, que posteriormente podem ser verificadas experimentalmente.

A Nova Geografia associa os métodos indutivo e dedutivo nas suas análises. Entretanto, o uso abusivo de linguagem matemática torna imperioso o tratamento estatístico, dando lugar à designação de Geografia Quantitativa.

A localização de fenómenos deixa de ser de forma absoluta, passando a ser relativa.

Schaefer altera substancialmente o conceito de espaço vidaliano ao individualizar o espaço e usá-lo como um critério de classificação.

  • 3)Geografia Radical

A geografia Radical surgiu depois da Segunda Guerra Mundial sustentando-se ideologicamente no Marxismo. Perante o ambiente de pós guerra, os geógrafos começaram a preocupar-se com a pobreza, com os países em vias de desenvolvimento e com os problemas que a população enfrentava.

As ideias básicas da Geografia Radical estão contidas nas obras de David Harvey, 1972, «Explanation in Geography» e nos artigos da revista Antípode «A Radical Journal of Geography» editada por Richard Peet depois da 2.aGuerra Mundial.

As premissas desta tendência da Geografia estão ligadas aos aspectos da ordem social, segregação racial nas cidades americanas, às revoltas dos negros na América nos anos 60-70, à Guerra do Vietname, aos problemas ecológicos, aos aspectos de ordem científica, particularmente as questões dos modelos da Nova Geografia, considerados bastante simples para representar realidades muito complexas.

(Video) Determinismo e Possibilismo

A Geografia radical surge, portanto, propondo o combate ao conservadorismo e exigindo novas instituições capazes de resolver os problemas globais que afectam a sociedade. Insistem na alteração dos objectivos e vão aproveitar-se de muitos métodos quantitativos para a construção de uma sociedade mais justa.

Bibliografia

WILSON, Felisberto.G11 - Geografia 11ª Classe.2ª Edição. Texto Editores, Maputo, 2017.

FALA GALERA!! TUDO BEM!!?? Hoje vamos nesta aula resolver algumas questões sobre as correntes do pensamento geográfico. Relembrando a ...

c) ( ) A. Nova Geografia (Geografia Quantitativista), no pós-45, escamoteia a realidade. vivênciada pelos países subdesenvolvidos, ao afirmar que a situação de pobreza. e miséria existente é um estágio superável a partir da adoção de políticas de. planejamento eficazes.,. d) ( ) A. Geografia Crítica segue os mesmos postulados da Geografia Tradicional e da Nova. Geografia.. e) ( ) A. Geografia Crítica desmascara a Geografia Tradicional e a Nova Geografia ao. demonstrar o papel da Geografia na legitimação dos interesses das classes. hegemônicas.. A principal mudança no ensino da geografia é a passagem, que aindaocorre, de uma. geografia tradicional e descritiva voltada para amemorização, para uma geografia crítica. preocupada com o raciocínio eo. espírito crítico do aluno.. 8ª QUESTÃO: UVA 2004.2. Numa alusão aos princípios metodológicos da Geografia, podemos afirmarque o princípio. em que o geógrafo compara as características da áreaestudada com a de. outras regiões da Terra, estabelecendo as semelhanças e asdiferenças é o:. b) ( ) No possibilismo está contido o caráter competitivo das classes sociais. procurando verificar o papel das relações sociais na organização do espaço. c) ( ) O método Regional estuda a questão da diferença das áreas como objeto de. estudo da Geografia.. ( ) A nova geografia ( geografia quantitativista), no pós 45, escamoteia a. realidade vivência pelos países subdesenvolvidos, ao afirmar que a situação de. pobreza de miséria existente é um estágio superável da adoção de política de. planejamento eficazes.. ( ) A geografia crítica desmascara a geografia tradicional e a nova geografia. ao demostrar o papel da geografia na legitimação dos interesses das classes. hegemônicas.. 23ª QUESTÃO: (UECE) “Uma das grandes metas. conceituadas da geografia foi justamente de um lado, esconder o papel do Estado. bem como o das classes sociais na organização da sociedade e do espaço.. 24ª QUESTÃO:(UECE-91.2) A ideologia segundo a qual os. povos mais inteligente e os mais cultos são os das zonas temperadas, enquanto. os da zona trópica, em função do clima quente, são os mais indolentes,. resultando disso o desenvolvimento e o subdesenvolvimento, essa postura é. defendida pelo (a):. a) ( ) geografia crítica. b) ( ) darwinismo geográfico. c) ( ) determinismo geográfico. d) ( ) possibilismo geográfico

AS DIVERSAS CORRENTES DA DISCIPLINA GEOGRÁFICA QUE

Na acepção crítica, assim como na fenomenológica, mas de outra forma, o. objeto não possui uma objetividade que o coloca além da sua relação com a existência. humana, o que não quer dizer que ele – o objeto – não possua objetividade alguma, mas. que esta, mesmo pensada cientificamente, “não está isenta de erros, nem tampouco pode. eximir-se de uma escolha” (JAPIASSU, 1977, p. 155).. Cosgrove (2003),. sem se referir diretamente à Geografia Humanística, mas referindo-se à Geografia. Cultural, de onde a Humanística se desenvolve31, fez uma reflexão, sem se referir ao. lugar, na qual a Geografia Crítica tem possibilidades de troca e complementaridade com. a Geografia Cultural.. O processo de totalização é resultado de uma. necessidade, de uma falta, uma carência no interior da totalidade precedente. (SILVEIRA, 2002).. Novas categorias entram em cena para esclarecer a lógica e para levar ao. entendimento do processo de produção do espaço urbano (CARLOS, 1994), pois a crise. mencionada aparecia através de novas paisagens que explicitavam um espaço. contraditório, hierarquizado e fragmentado, em virtude de um processo de apropriação e. valorização do espaço que se realizou desigualmente.. Parece-nos que localização é um atributo necessário para a definição de. lugar, mesmo que seja o lugar de um espaço existencial-ontológico definido por. Martins, onde a localização vai ter um sentido, ou seja, ela não poder vista “estritamente. a partir das coordenadas geográficas” (MARTINS, Élvio, 2007, p.48), pois também vai. apresentar um conteúdo.. uma estrutura relacional, dentro de uma estrutura de co-habitações, na qual a distância. não é tomada em termos métrico-quantitativos, mas sim em termos da intensidade. qualitativa da relação.. Podemos dizer que o lugar é a. realização/funcionalização/particularização da totalidade, “imerso numa comunhão com. o mundo” (SANTOS, 2006, p. 314), sendo ele próprio também uma totalidade, uma vez. que contém os diferentes tempos trazidos pelos eventos, “mas uma totalidade parcial,. incompleta, inacabada, pois a trama dos eventos não atinge sua completude no lugar,. mas no mundo em movimento” (SILVEIRA, 2002, p. 205-206).. Segundo Harvey, entretanto,. desde a década de 70 criou-se uma “considerável insegurança no interior dos/entre os. lugares” (HARVEY, 1996, p. 296, tradução nossa)37, pois houve uma diminuição dos. custos de transporte, assim como uma melhoria relevante nas possibilidades de. comunicação graças aos avanços técnicos em ambas as áreas.. Porém o lugar é também resistência, já que é mundo. vivido, espaço no qual se realiza a vida portadora de múltiplas racionalidades, múltiplos. tempos, é o “teatro insubstituível das paixões humanas, responsáveis, através da ação. comunicativa, pelas mais diversas manifestações da espontaneidade e da criatividade”. (SANTOS, 2006, p. 322).

No século XX vimos florescer duas grandes correntes descritas naturalmente como “socialistas”. Cada uma delas se expressou com maior e...

Contudo, também ocorreram formas pervertidas de Nacionalismo, como foi o. Nazismo, ele que justamente se declarava Nacional-socialismo, porém sucumbiu a. posições extremas de xenofobia, tema que comumente surge de forma oportunista. visando escravizar povos e nações.. O Nacionalismo social brasileiro, implantado por Getúlio Vargas –chamado. também de “caudilho” por haver promovido uma revolução social no país-, jamais. flertou com ideologias radicais, xenófobas ou fascistas, da mesma forma que. afirmou a sua natural ojeriza ao marxismo.. Ao contrário de. outras nações da sua zona, o Brasil pouco hesitou a entrar na Segunda Guerra. junto aos Aliados, porém tratou de negociar para isto novos marcos na sua independência. econômica.. João Goulart e Salvador. Allende eram porta-vozes destas mudanças pelas vias democráticas, ainda que Allende. possuía formação marxista.Com o final da Guerra Fria, o marxismo foi quase varrido do Ocidente,. pese a resiliência corrosiva do marxismo cultural de Gramsci perdurar de forma. oportunista nestas nações socialmente destruídas pelas ditaduras, sobretudo o. próprio Brasil onde a ação sócio-desconstrutiva foi lenta e sistemática.. Hoje o mundo redesperta assombrado com os rumos das coisas, dos. escombros sociais tentam emergir novas mentalidades, por vezes simples refugos. dos desvios culturais, outras vezes reminiscências de culturas originárias,. entremeadas pelas aspirações ambientalistas e holísticas que surgiram também. como contraponto alternativo à Guerra Fria e que hoje também repensam as suas. ações, que não deixam de possuir funções sociais e até nacionalistas –a defesa. da terra também é uma defesa do homem-, seguindo todas as análises acima. apresentadas.

As correntes do pensamento geográfico e suas trajetórias

Aqui, o intuito é. delinear as diversas perspectivas que nortearam a evolução da ciência geográfica,. ou seja, procurando entender os momentos em que há a passagem de preeminência. de uma visão para outra.. Ao se falar desta parte da história da Geografia, marcada pelo método positivista,. não se pode deixar de discorrer sobre as transformações que ocorriam no mundo.. Ressalva-se que o desejo de fazer da Geografia um estudo mais científico e mais. aceito como disciplina, levou à adoção da Estatística e da Matemática como. recursos de apoio.. Sem romper com os fundamentos teóricos e filosóficos da geografia. tradicional, a chamada ‗nova geografia‘ não fez mais que precisar. (matematicamente) as imprecisões da geografia tradicional e, assim, viria a. facilitar a identificação dos seus problemas.. 45. disposição os novos e poderosos meios de comunicação de massa que se. encarregarão de abrir espaço para sua chegada triunfante aos quatros cantos. da terra.. Desta forma, em oposição ao pensamento da Nova Geografia, emerge a partir da. década de setenta a Geografia Crítica, a qual se coloca como um divisor de águas. na Ciência Geográfica, rompendo com a sua produção acadêmica tradicional, além. de questionar a perspectiva geográfica posta exclusivamente sobre o produto da. ação do homem no espaço.. Um desdobramento contundente de tal visão. recaiu sobre a eterna polêmica da dicotomia natureza/sociedade na ciência,. resultando no alijamento dos estudos da natureza física do âmbito da Geografia. Crítica.. Trata-se daquela postura de um grupo de geógrafos humanos – partimos do. pressuposto de que estes existem, já que existem os geógrafos físicos – que,. a partir de meados dos anos 60, têm insistentemente afirmado que a. geografia física não é geografia, principalmente a do período que ora. abordamos (positivismo).. Tal postura, desenvolvida mais fortemente entre os adeptos da chamada. ―Geografia Radical‖ – de cunho marxista ortodoxo – é no mínimo injusta para. com aqueles que propuseram e desenvolveram a ciência geográfica até. aproximadamente os anos 50 deste século, para não tachá-la com adjetivos. depreciativos; ao se afirmar que aquele conhecimento da distribuição espacial. da natureza não é geografia deduz-se que somente o outro, relativo ao. homem e sua sociedade, o é.. É no mínimo contraditório, o fato de este movimento ter ser originado entre. geógrafos marxistas, pois esta corrente de pensamento sempre atacou. veementemente o positivismo em função do apelo ao cientificismo. exacerbado e pelo fato de somente considerar ciência aquele conhecimento. produzido segundo seus princípios básicos; tais marxistas, ao assim. Como dito, a preocupação da Geografia Moderna está na interação dos. aspectos físicos e sociais, diferentemente da Geografia Tradicional que dividia os. seus estudos em dois setores bem distintos, os quais seguiam paralelos e nunca se. completavam.. Assim, na busca da construção de um conhecimento mais conjuntivo,. alguns geógrafos tomaram como base o pensamento sistêmico com o objetivo de. promover uma análise que explique a organização de um sistema espacial segundo. as interações que se processam entre os atributos formadores e que lhes confere. caráter dinâmico e não-linear.. Este conceito integrador expressava uma nova visão da Geografia em contradição. com a visão tradicional da análise isolada dos componentes naturais, que não. permitia a interpretação das influências mútuas entre os componentes naturais,. empreendidos sob uma visão metafísica e mecanicista.

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